Rúben Amorim reuniu seus jogadores antes da partida contra o Wolverhampton e deixou uma mensagem clara: mudanças estão a caminho. Sem entrar em muitos detalhes, o treinador do Manchester United fez com que o elenco entendesse que uma alteração tática estava sendo seriamente considerada.
Segundo a informação do site The Athletic, Amorim disse aos atletas que o jogo no Molineux Stadium seguiria o sistema habitual, mas após essa partida o clube precisaria refletir melhor sobre as ausências programadas de Bryan Mbeumo (Camarões), Amad (Costa do Marfim) e Noussair Mazraoui (Marrocos), que disputarão a Copa Africana de Nações a partir do próximo fim de semana.
A perda iminente de três jogadores que, em diversas ocasiões, formaram o lado direito do esquema 3-4-2-1 de Amorim nesta temporada tem dado muito o que pensar à comissão técnica. Uma das alternativas estudadas é a adoção de um sistema que se aproxime mais de um 4-3-3.
Pessoas próximas ao clube revelam que boa parte dos treinamentos recentes, visando o confronto contra o Bournemouth nesta segunda-feira (15), foi dedicada a esse novo desenho tático. Parte disso se deve ao trabalho de pressão defensiva, mas também reforça a ideia de que Amorim está realmente cogitando se afastar de sua tradicional linha com três zagueiros.
Apesar de já indicar há algum tempo que pretende adaptar seu modelo de jogo, sempre ressaltando que isso aconteceria por convicção própria, e não por pressão externa, a mudança representaria uma transformação significativa.
Na sexta-feira, Amorim comentou sobre o retorno do atacante Benjamin Sesko, que se recupera de uma lesão no joelho:
“Não é só o Ben, é todo mundo. Precisamos adaptar um pouco a forma como vamos jogar. Não podemos pensar que atuaremos da mesma maneira sem Amad, Bryan e Nous, especialmente Amad e Bryan, por causa das características deles. Isso é muito difícil de substituir. Mas é uma boa oportunidade para jogar de um jeito diferente.”
O treinador reforçou ainda a necessidade de variar a construção de jogo e extrair o máximo do elenco:
“Precisamos trabalhar a variabilidade do nosso jogo, especialmente na saída de bola. Estou tentando encontrar soluções para ganhar mais partidas.”
A parceria entre Mbeumo e Amad foi um dos grandes destaques da temporada. Canhotos, ambos têm facilidade no drible, na troca de passes e na infiltração pelo meio, dando mais criatividade ao sistema, especialmente com Diogo Dalot oferecendo equilíbrio pelo lado oposto.
Os dois começaram juntos nove dos 15 jogos da Premier League até aqui, além de atuarem como dupla de meias em partidas contra grandes rivais como Manchester City, Chelsea e Tottenham, com Mazraoui ocupando o lado direito da defesa.
O United esperava contar com Mbeumo e Amad contra o Bournemouth, enquanto Mazraoui era tratado como um caso mais complicado devido às negociações com as seleções. A FIFA determinou que os clubes só precisam liberar os jogadores sete dias antes do início da Copa Africana, mas o calendário criou incertezas.
Amorim reconheceu a situação delicada:
“Ainda estamos em contato com as seleções. O jogo é na segunda, eles estão aqui treinando, e estamos preparando todos os cenários possíveis.”
A Copa Africana termina em 18 de janeiro, e caso os três jogadores avancem até a final, o United pode ficar sem eles em partidas importantes contra Aston Villa, Newcastle, Leeds, Burnley, Brighton (pela FA Cup) e Manchester City.
Resta saber se Amorim adotará o 4-3-3 já contra o Bournemouth ou apenas futuramente. O treinador, que conquistou títulos em Portugal com o 3-4-2-1 no Sporting, já declarou no passado que “nem o Papa” o faria mudar de sistema sem vontade própria. Ainda assim, ele sempre reforçou que a evolução faz parte do processo.
Lesões de Matthijs de Ligt e Harry Maguire, somadas às ausências pela AFCON, ajudam a explicar por que essa mudança pode acontecer agora. Atualmente, Amorim conta com Lisandro Martínez, Leny Yoro e Ayden Heaven como zagueiros disponíveis.
Ao avisar o elenco antes do jogo contra o Wolves, Amorim deixou claro que qualquer alteração será planejada, não uma reação emocional. Caso a mudança se confirme, ela virá em um momento positivo: após uma vitória convincente e com o United ocupando a sexta posição da Premier League.
Após o triunfo por 4 a 1 sobre o Wolves, o treinador foi direto:
“Precisamos melhorar a forma como jogamos. Em alguns momentos, precisamos encontrar um jeito diferente de atuar. Estamos trabalhando nisso, e o jogo contra o Bournemouth será um cenário completamente diferente.”
Por fim, a possível ausência de Sesko, que sofreu intoxicação alimentar nos últimos dias, adiciona mais uma incógnita para o técnico do Bournemouth, Andoni Iraola, que tenta prever a escalação adversária. O atacante pressiona para jogar, mas o clube ainda avaliará sua condição física.


