O vestiário do Manchester United em dias de jogo é um local cercado de mistério para a maioria dos torcedores. No entanto, em uma entrevista exclusiva para a revista oficial do clube, o lateral-esquerdo Luke Shaw abriu as portas dos bastidores e revelou como funciona a preparação dos atletas antes de entrarem no gramado do lendário Old Trafford.
Shaw, que completou 12 anos de clube, descreveu o misto de sentimentos que envolvem um jogador profissional de alto nível. Mesmo após mais de uma década defendendo os “Diabos Vermelhos”, ele admite que o frio na barriga ainda existe. “É uma mistura de empolgação e nervosismo. Acho que o nervosismo vem porque você quer muito vencer e atuar em alto nível”, explicou o defensor de 30 anos.
A rotina antes do apito inicial
Para o público brasileiro, acostumado com as concentrações em hotéis, o processo do Manchester United segue um padrão rigoroso. Os jogadores se reúnem em Carrington, o centro de treinamento do clube, cerca de três horas e meia antes da partida. Segundo Shaw, a refeição pré-jogo é geralmente composta por massa com pesto e frango, especialmente em jogos noturnos.
O lateral conta que o clima é descontraído no CT, mas a chave vira assim que a delegação sobe no ônibus rumo ao estádio. “É quando você entra no ônibus que sabe que é hora de focar totalmente. Você coloca sua música e entra na zona de concentração. Quando avistamos Old Trafford de longe, a empolgação real começa”, revelou.
O ritual do ‘Deep Heat’ e o vestiário
Dentro do vestiário, Shaw segue uma rotina metódica que inclui massagens, rolo de espuma e alongamentos. Mas o detalhe mais curioso de sua preparação ocorre momentos antes de entrar no túnel: o uso de um spray de aquecimento forte (conhecido como Deep Heat).
“Eu sempre recebo uma última aplicação de Deep Heat. Eu deito e sinto aquele spray queimar. Isso realmente me acorda!”, confessou o jogador. Além dos rituais individuais, ele destacou a importância da corrente de união feita antes do jogo, que envolve não apenas os titulares, mas reservas, jogadores não relacionados e toda a equipe técnica.
A conexão com a torcida e a vida pós-jogo
Jogar para 70 mil pessoas em Old Trafford é, para Shaw, um privilégio que nunca se torna comum. Ele destacou o apoio da torcida, citando especialmente a atmosfera em clássicos contra Manchester City, Liverpool e Arsenal. “O apoio deles é o melhor do mundo. Sentimos essa energia no campo, especialmente nesta temporada com as bandeiras na Stretford End (setor tradicional do estádio)”.
Após o apito final e os protocolos de recuperação física, como banhos de gelo, o lateral retorna para uma realidade bem diferente da elite do futebol europeu. Pai de quatro filhos, ele conta que sua noite termina de forma simples: brincando com as crianças e, ocasionalmente, assistindo aos melhores momentos da rodada na televisão. “Minhas noites agora são muito diferentes do que eram há cinco ou dez anos. Com quatro crianças em casa, não há muito o que fazer além de me divertir com eles”, concluiu.


